Legado da Copa do Mundo em Natal tem cinco obras não concluídas

Quatro obras de mobilidade e túnel de drenagem não foram terminadas.
Terminal marítimo de passageiros ainda não pode usar toda a estrutura.

Incompleto, prolongamento da Prudente de Morais só deve ser terminado em 2016 (Foto: Felipe Gibson/G1)

Quatro obras de mobilidade urbana e um túnel de drenagem estão na lista dos projetos do chamado legado da Copa do Mundo que ainda não foram concluídos no Rio Grande do Norte. Além dos projetos que estão incompletos, o terminal marítimo de passageiros está com sua estrutura subutilizada. Os entraves variam para Município, Estado e Companhia de Docas do Rio Grande do Norte, responsáveis pelos projetos.

Para o Município, o maior gargalo está no projeto para padronização e acessibilidade de 55 quilômetros de calçadas no corredor que leva até a Arena das Dunas. Com apenas 5% da obra executada, a prefeitura pretende rescindir o contrato com a empresa responsável pela obra. O Município ainda enfrenta problemas para finalizar um túnel de drenagem que levará águas de cinco lagoas espalhadas pela cidade até o rio Potengi. Os dois projetos precisam de readequações para serem concluídos.

A prefeitura também está em atraso com a obra de readequação do sistema viário das zonas Oeste, Norte e Sul da cidade, que inclui a construção de um binário envolvendo as avenidas Capitão-mor Gouveia e Jerônimo Câmara, além de obras na BR-226 e Avenida Felizardo Moura.

Da lado do Estado, a Avenida Omar O'Grady, conhecida como prolongamento da Avenida Prudente de Morais, teve parte da estrutura entregue sem sinalização e iluminação em março do ano passado. Dependente de desapropriações e remanejamento de rede elétrica, o projeto completo, que ainda prevê a construção de um viaduto, só deve ser entregue em 2016.

Da mesma forma, o governo já estipulou dezenas de prazos para concluir os acessos ao Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. Entretanto, as obras nos acessos Norte e Sul para o terminal de passageiros só devem ser finalizadas em 2016, conforme previsão do governo.

Administrado pela Codern, o terminal marítimo de passageiros teve a construção concluída, porém a estrutura está subutilizada. Atualmente apenas o pavimento em que funciona a alfândega está operando na recepção dos passageiros. O segundo e terceiro pavimentos, previstos para funcionarem como áreas comerciais, não estão autorizados a instalar empreendimentos por falta de um modelo para a concessão.

Interdição acontecerá na avenida Salgado Filho, em Natal (Foto: Canindé Soares)Salgado Filho está entre avenidas que terão
intervenções nas calçadas (Foto: Canindé Soares)
Calçadas
Com apenas 5% dos R$ 24 milhões do contrato executados, o projeto de padronização e acessibilidade das calçadas será cancelado pelo Município. O secretário de Obras Públicas e Infraestrutura, Tomaz Neto, acredita que a decisão é a mais coerente diante da série de problemas encontrados para a continuidade da obra. No caminho da padronização e acessibilidade estão postes, redes de esgoto, estacionamentos de comércios, jardins de casas e a possibilidade de diversos questionamentos jurídicos. "Pode gerar muita ação judicial e levar muito tempo, uma burocracia imensa", detalha.

O corredor previsto nos 55 quilômetros compreende ruas dentro da região que vai do fim da Avenida Hermes da Fonseca, na Zona Leste, até até a Arena das Dunas, na Zona Sul de Natal. O trecho, que deveria ficar pronto antes da Copa do Mundo, funcionaria para facilitar o deslocamento até o estádio utilizado no Mundial.

Depois de cancelar o atual contrato com a empresa Crisal, o secretário pretende licitar um projeto executivo para contemplar todas as interferências em que o projeto esbarra. "A empresa terá que entregar a obra licenciada. Será necessário pesquisar cada metro de calçada e todas as intervenções", explica Neto, que só planeja retomar a obra, em um novo contrato, quando o projeto executivo estiver finalizado e sem pendências. O prazo do Município é que as obras estejam concluídas até o fim de 2016.
Primeiro poço do túnel de drenagem da Arena das Dunas foi aberto em 2013 (Foto: Divulgação/Secom)Primeiro poço do túnel de drenagem da Arena
das Dunas foi aberto em 2013
(Foto: Divulgação/Secom)
Túnel de drenagem 
A escavação de cinco poços é a única pendência para a conclusão do chamado túnel de drenagem da Arena das Dunas. Com a ordem de serviço assinada no início de 2013, o projeto de R$ 122 milhões parou por problemas diversos. Desta vez, uma fuga de material abriu vazios nas últimas escavações, oferendo risco de desmoronamentos. Por segurança, o Município paralisou a obra.

A solução, segundo o secretário Tomaz Neto, é adotar a técnica chamada "Jet Grouting", tecnologia que permite melhoria e reforço do solo com cimento. "Com essa técnica os vazios encontrados na escavação seriam ocupados por blocos de concreto e não areia fina, como ocorreria se continuássemos", explica. A solução, no entanto, tem um custo extra: R$ 30 milhões. "Apresentamos a proposta ao Ministério das Cidades e a liberação dos recursos está em análise", acrescenta o titular da Semov.

Há mais de 30 dias parada, as obras teve o prazo de entrega alterado de outubro para dezembro. Com 85% do contrato já executado, restam 800 metros de túnel e 30 metros dos cinco poços. O projeto é composto pelo túnel, de 4,7 quilômetros de extensão e 36 poços. A responsável pelo projeto executivo é a LR Engenharia.

Pavimentação da BR-226 ainda não foi iniciado (Foto: Felipe Gibson/G1)Pavimentação da BR-226 ainda não foi iniciada
(Foto: Felipe Gibson/G1)
Sistema viário entre zonas Oeste e Sul
 Modificado para evitar 525 desapropriações previstas em seu primeiro projeto, o lote 1 das obras de mobilidade da Copa do Mundo travou depois que a empresa EIT alegou dificuldades financeiras. Dívidas em contratos com o governo federal e estadual foram a justificativa dada pela empresa, a mesma responsável pelas obras dos acessos do aeroporto Aluízio Alves e prolongamento da Avenida Prudente de Morais.

De acordo com Tomaz Neto, a obra teve a primeira ordem de serviço assinada em junho de 2012. Depois da readequação do projeto, as obras foram reiniciadas um ano depois e deveriam ficar prontas em junho de 2014, antes da Copa do Mundo, o que não aconteceu.

Sobre as pendências nas obras, o secretário detalha que a Avenida Capitão-mor Gouveia ainda precisa receber 43 metros de calçada. Já na Avenida Jerônimo Câmara, 70% das calçadas ainda precisam ser feitas. Na BR-226 e Avenida Felizardo Moura nada foi feito. A estrada federal atualmente sofre com o trânsito e más condições nas imediações próximo à entrada para a Capitão-mor Gouveia.

Da prefeitura, a empresa responsável pelo projeto recebeu R$ 44 milhões dos R$ 119 milhões previstos no contrato. O binário das avenidas Capitão-mor Gouveia e Jerônimo Câmara é prometido para o final de julho, enquanto a BR-226 e a Felizardo Moura estão previstas apenas para o fim do ano.

*G1/RN
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1 comentários:

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Anônimo
Administrador
14 de junho de 2015 14:21 ×

E dai! Todo mundo sabia que ia dar errado E DEU, já quem vai pagar a conta todo mundo sabe, somo nós mesmos!!!

Anônimo
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