Preso é assassinado a facadas dentro da Cadeia Pública de Natal

Detentos arrombaram cadeado de cela e mataram rival no isolamento.
Este foi o 10º preso morto dentro do sistema penitenciário potiguar este ano.

Presos se rebelaram no Presídio Provisório Raimundo Nonato nesta sexta (Foto: Edmilson Santos/Inter TV Cabugi)

Um preso foi assassinado a facadas dentro do Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato Fernandes, também chamado de Cadeia Pública de Natal, na Zona Norte da cidade. De acordo com a direção da unidade, o detento foi morto dentro de uma cela de isolamento, onde ficam detentos que são ameaçados de morte. O corpo foi encontrado na manhã desta segunda-feira (2). Este é o 10º preso morto dentro do sistema penitenciário potiguar somente este ano.

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Segundo Dinorá Simas, diretora da cadeia, os agentes penitenciários ouviram barulhos por volta das 22h deste domingo (1º). Janilson Pereira do Carvalho, de 38 anos, estava dentro de uma cela de isolamento com três detentos quando outros presos vieram de outras celas, arrombaram o cadeado e mataram Janilson a facadas.

Segunda morte em 24 horas

Ainda na madrugada do domingo (1º), um preso foi encontrado morto dentro da carceragem do setor de triagem do Complexo Penal Dr. João Chaves, que também fica na Zona Norte de Natal. Segundo a direção da unidade, 30 presos estavam na cela. O detento foi identificado apenas como Fabiano de Araújo. “Chamamos a polícia e o Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep), que é quem realmente pode confirmar o que aconteceu, se foi suicídio ou se o detento foi assassinado”, ressaltou Eider Brito, diretor do presídio.

2015
Ano passado, 28 homens morreram dentro de unidades carcerárias do RN. Deste total, 25 foram assassinados a facadas ou encontrados enforcados, mortos em condições suspeitas. Outros dois morreram soterrados após o desabamento de um túnel na Penitenciária Estadual de Alcaçuz. E, no início de 2015, um adolescente morreu ao ser baleado em uma unidade para cumprimento de medida socioeducativa durante uma tentativa de resgate no Ceduc de Caicó. Os números são da Coordenadoria de Análises Criminais da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Sistema em calamidade

O sistema penitenciário potiguar não passa por um bom momento. E faz tempo. Em março de 2015, após uma série de rebeliões em várias unidades prisionais, o governo decretou estado de calamidade pública e pediu ajuda à Força Nacional. Para a recuperação de 14 presídios, todos depredados durante os motins, foram gastos mais de R$ 7 milhões. No entanto, o sistema permanece em crise. Seis meses depois, o decreto de calamidade foi prorrogado por mais 180 dias e a permanência da Força Nacional também renovada.

Já no dia 17 de março deste ano, o governo do Rio Grande do Norte voltou a renovar o decreto de calamidade no sistema prisional potiguar e mais uma vez pediu socorro à Força Nacional. A renovação da calamidade, por mais seis meses, foi assinada pelo governador Robinson Faria. O documento diz que a renovação tem por objetivo "legitimar a adoção e execução de medidas emergenciais que se mostrarem necessárias ao restabelecimento do seu normal funcionamento".

Fugas

Além das unidades depredadas e da superlotação, as fugas também se tornaram um problema constante para o Estado. Somente este ano, 185 detentos já escaparam do sistema prisional potiguar. A média é de 11 fugitivos por semana.

*G1/RN
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