Guerra entre facções é maior causa de homicídios em 2017, diz novo titular da Degepol

Novo delegado-geral de Polícia Civil, Correia Júnior avalia que o principal foco da corporação no momento será o combate ao crime organizado


Recém-nomeado para o comando geral da Polícia Civil, o delegado Correia Júnior já iniciou operações na Região Metropolitana de Natal, e no interior, em combate ao crime organizado. Em entrevista ao Agora RN, o delegado avalia que o crime organizado hoje é principalmente motivado pela guerra entre facções do Estado.

Com resultados das operações já sendo apresentados, em 3 dias registrando apenas um homicídio, o delegado ainda aponta que a corporação também está tentando dar uma prioridade ao lançamento do edital de concurso público, que visa contratar novos Policiais Civis. Confira a entrevista na íntegra:

Agora – Quais as providencias iniciais necessárias para o comando da Policia Civil?
Correia – A gente está correndo o mais rápido possível para conseguir o lançamento do edital do concurso público, que irá sair entre maio e junho, para 140 policiais civis, entre delegados, escrivães e agentes. Além disso, estamos realizando operações tanto em Natal como no interior, que iniciaram semana passada, e deveremos fazer mais na próxima semana. E vamos também, através de cursos do Governo Federal, junto à Secretaria de Segurança, intensificar nossos recursos de diária operacional e o trabalho na questão de drogas e crime organizado, além de aumentar a estrutura do DHPP (Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Agora – Como avalia o tráfico de drogas no atual quadro de insegurança no Estado?
Correia – Sabemos que combatendo o tráfico de drogas certamente a gente vai diminuir muito a questão dos homicídios e o crime organizado, devido a essa guerra entre facções. Só pra se ter uma ideia, dentre as operações realizadas na semana passada, tanto pela Polícia Civil como pela Polícia Militar, a nossa DHPP em três dias registrou apenas um homicídio na região de Natal. Então com essas operações, não só o trabalho da PC mas também o trabalho da PM, intensificando políticas de operações em conjuntas, a gente consegue diminuir a questão dos homicídios.

Agora – Como a contratação de mais pessoas pode ajudar no combate à criminalidade? 
Correia – A contratação é uma coisa essencial. Nós trabalhamos hoje apenas com 1500 policiais civis, ou seja, 28% do nosso contingente legal, do que é permitido por lei. E esse concurso, que inicialmente é pra 140 pessoas, mas como o levantamento foi feito em 2015, e em virtude da previdência houve muitas aposentadorias nos últimos meses, certamente iremos chamar contratar mais independentemente desses. Durante validade desse concurso, que é de dois anos, e pode ser prorrogado para mais dois, talvez a gente consiga convocar cerca de 300 policiais a mais nesse período.

Agora – O que acha das estatísticas, que apontam mais de 700 mortes violentas já neste ano?
Correia – Primeiro que houve aquelas situações de janeiro pra cá, com relação as guerras entre as facções. Só em Alcaçuz foram 26. Então cerca de 70% dessas mortes que estão acontecendo são pessoas que respondem ou responderam à enquete policial de facções. Mas independente disso, estamos trabalhando para diminuir esse índice geral até o final do ano, frente a nova administração da Sesed [Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social].

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