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Investigada, Arena das Dunas foi erguida 99% com verbas do BNDES

Construção da praça é investigada pela Polícia Federal e pelo MPF pela possibilidade de ter sido superfaturada em R$ 77 milhões


A Operação Manus, ramificação da Lava Jato deflagrada na manhã da última terça-feira 06 em Natal pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, tem como principal linha de investigação o suposto superfaturamento de R$ 77 milhões identificado na época da construção da Arena das Dunas, em Natal.

Inicialmente, cinco mandados de prisão preventiva foram expedidos e cumpridos nesta terça, um deles direcionado para o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, que seria, segundo as investigações, um dos beneficiários da verba superfaturada ao lado de outros envolvidos.

Segundo levantamento realizado pelo UOL, o estádio potiguar, que recebeu quatro jogos da Copa do Mundo de 2014 (entre eles um Itália x Uruguai que ficou marcado na memória do torcedor), foi o que mais dependeu dos investimentos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), de onde, possivelmente, teriam partido as verbas identificadas no superfaturamento.

Orçada inicialmente em R$ 350 milhões, a Arena das Dunas, que foi erguida no terreno onde se encontrava o antigo estádio Machadão, acabou custando aos cofres públicos, ao ser concluída, R$ 50 milhões a mais. Ou seja, teve custo total de R$ 400 milhões. Do valor inicial, o Governo do RN iria gastar R$ 16 milhões para elaboração do projeto básico e entraria com outros R$ 83,5 milhões para a obra, enquanto que o BNDES completaria com R$ 250,5 milhões.

Todavia, diante das dificuldades financeiras que o Estado estava passando para honrar com o compromisso assumido, mais dinheiro do BNDES precisou ser captado, além de um acréscimo de R$ 50 milhões no total da obra, principalmente, segundo documentos, por pagamentos referentes a assentos temporários necessários e certificações ambientais que foram pedidas no decorrer da construção.

Como a linha de crédito criada pelo BNDES para ser usada na construção dos estádios da Copa permitia a cessão máxima de R$ 400 milhões por obra, o Rio Grande do Norte usou quase que integralmente o valor disponível. Ao ser finalizada, contatou-se que 99% do valor gasto na mesma (R$ 396,5 milhões) partiram do banco estatal, enquanto que o Estado entrou apenas com os R$ 3,5 milhões restantes.

Ainda de acordo com o levantamento realizado pelo UOL, nenhum outro estádio construído para a Copa do Mundo dependeu tanto da verba do BNDES para ser finalizado. Os que mais se aproximaram foram o Beira-Rio, em Porto Alegre-RS, que teve R$ 83,3% da reforma da praça bancada pela estatal, e a Arena Pernambuco, na região metropolitana de Recife-PE, que ao fim registrou dependência de 75%.

O Ministério Público, a Receita e a Polícia Federal já suspeitavam de superfaturamento na construção da Arena das Dunas desde que o primeiro projeto havia sido apresentado ao custo de R$ 350 milhões. Como no decorrer do processo houveram os acréscimos que fizeram a obra terminar em R$ 400 milhões, a suspeição aumentou.

Vale salientar, ainda, que até que o Governo do Rio Grande do Norte quite integralmente o pagamento com o Consórcio que construiu à praça, a Arena terá custado, segundo levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), nada menos do que R$ 457 milhões (já somados os juros). O acordo fechado com o consórcio faz com que o Executivo pague parcelas milionárias a ele durante o período de 15 anos.

Verbas do BNDES nas Arenas da Copa
Arena das Dunas (99% da obra financiada pelo BNDES) – Total da obra: R$ 400 milhões – BNDES: 396,5 milhões
Beira-Rio (83,3%) – Total da obra: R$ 330 milhões – BNDES: 275,1 milhões
Arena Pernambuco (75%) – Total da obra: R$ 532,6 milhões – BNDES: 400 milhões
Castelão – (67,6%) – Total da obra: R$ 518,6 milhões – BNDES: 351,5 milhões
Arena da Amazônia (60,6%) – Total da obra: R$ 660,5 milhões – BNDES: 400 milhões
Arena Pantanal (57,9%) – Total da obra: R$ 583 milhões – BNDES: 337,9 milhões
Mineirão (57,5%) – Total da obra: R$ 695 milhões – BNDES: 400 milhões
Fonte Nova (47,3%) – Total da obra: R$ 684,4 milhões – BNDES: 323,6 milhões
Maracanã (38%) – Total da obra: R$ 1,050 bilhão – BNDES: 400 milhões
Arena Itaquera (37%) – Total da obra: R$ 1,080 bilhão – BNDES: 400 milhões
Arena da Baixada (33,5%) – Total da obra: R$ 391,5 milhões – BNDES: 131,1 milhões
Mané Garrincha (0%) – Total da obra: 1,4 bilhão (100% Governo do Distrito Federal)

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